VIDE BULA – Mitos e Verdades da Indústria Farmacêutica

A doença voltou a ser motivo de preocupação no país. A imunização continua sendo a principal forma de proteção, aliada ao controle dos mosquitos transmissores.

O aumento, no fim de 2024 e início de 2025, dos casos da Febre Amarela em Estados como São Paulo, Minas Gerais, Roraima e Tocantins tem preocupado as autoridades brasileiras. Agora em março, o Ministério da Saúde emitiu um alerta sobre a transmissão da doença, recomendando a intensificação das ações de vigilância e de imunização nas áreas consideradas de risco.  

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus e transmitida pela picada de mosquitos infectados. Trata-se de uma arbovirose, ou seja, uma doença causada por um vírus transmitido por artrópodes, como os mosquitos. O vírus da febre amarela pertence à família Flaviviridae, a mesma do vírus da dengue, zika e chikungunya. A doença pode se manifestar de forma leve ou grave, podendo levar a complicações fatais.


Transmissão

Há dois diferentes ciclos de transmissão da febre amarela: o silvestre e o urbano. 

  • Ciclo silvestre: ocorre em áreas de mata, onde os mosquitos do gênero Haemagogus e Sabethes picam primatas infectados e transmitem o vírus para outros macacos e eventualmente para humanos que frequentam essas áreas das matas. 
  • Ciclo urbano: ocorre quando o mosquito Aedes aegypti transmite o vírus diretamente entre humanos, sem a necessidade do macaco como hospedeiro. 

Ao contrário da crença popular, que costuma associar os macacos à transmissão da doença para os humanos, é importante esclarecer que os primatas não transmitem diretamente a Febre Amarela, assim como a doença não passa diretamente de um humano a outro.

Na verdade, os macacos adoecem e morrem da mesma forma que os humanos. Por isso, a morte de primatas é um sinalizador da presença do vírus na região, mas o vilão é o mosquito transmissor.


Principais sintomas 

A febre amarela tem um período de incubação de três a seis dias após a picada do mosquito infectado. Os sintomas iniciais são inespecíficos e podem ser confundidos com outras viroses, como dengue e gripe. Em humanos, a doença causa infecção aguda com febre, icterícia, albuminúria, hemorragia, insuficiência hepática e renal. A mortalidade na fase grave pode chegar a 50% dos casos, por isso, o diagnóstico e o atendimento médico rápido são fundamentais.

Conheça, a seguir, as suas duas formas de manifestação da doença. 


Fase inicial (Infecciosa)

  • Febre alta e calafrios
  • Dor de cabeça intensa
  • Dores musculares, principalmente nas costas
  • Náuseas e vômitos
  • Perda de apetite
  • Fraqueza e fadiga

Essa fase dura em média de três a quatro dias. Em muitos casos, a infecção se resolve nesse estágio, sem complicações.


Fase tóxica (grave)

Em cerca de 15% dos casos, após uma breve melhora, os sintomas retornam de forma mais grave, podendo levar à morte. Essa fase inclui:

  • Icterícia (pele e olhos amarelados devido a danos no fígado)
  • Sangramentos espontâneos (nariz, gengivas, vômito com sangue ou fezes escuras)
  • Insuficiência hepática e renal
  • Choque circulatório
  • Delírios e convulsões


Diagnóstico 

O diagnóstico da febre amarela é feito com base na avaliação clínica e exames laboratoriais que detectam o vírus ou os anticorpos no sangue. Os principais exames incluem:

  • RT-PCR: detecta o material genético do vírus no sangue nos primeiros dias da doença.
  • Sorologia (IgM e IgG): detecta a presença de anticorpos contra o vírus após a fase inicial da infecção.
  • Exames de função hepática e renal: são solicitados para avaliar possíveis complicações.



Tratamento 

Não existem medicamentos antivirais específicos para a febre amarela. Assim como a dengue, o tratamento é sintomático e de suporte, visando aliviar os sintomas e prevenir complicações. As principais medidas incluem:

  • Hidratação intensiva: administração de líquidos para evitar desidratação e melhorar a função dos órgãos.
  • Controle da febre e das dores: uso de analgésicos como paracetamol (evitando anti-inflamatórios e aspirina, que aumentam o risco de sangramentos).
  • Suporte hospitalar em casos graves: pacientes com complicações hepáticas e renais podem precisar de internação em unidade de terapia intensiva (UTI).



Como prevenir 

A prevenção da febre amarela é essencial para evitar surtos da doença. As principais formas de prevenção incluem a vacinação e combate aos mosquitos transmissores. 


Vacinação

A imunização continua sendo a principal forma de proteção, aliada ao controle dos mosquitos transmissores. A vacina contra a febre amarela é altamente eficaz e segura, faz parte do calendário de vacinação em diversas regiões do país e confere imunidade com uma única dose.

Vale lembrar que, desde 2020, o Ministério da Saúde recomenda a vacinação contra a febre amarela para crianças menores de 5 anos de idade em duas doses: a primeira aos 9 meses e a segunda aos 4 anos. Para pessoas a partir dos 5 anos, a vacina é dose única e protege por toda a vida. 


Combate ao mosquito transmissor 

Na transmissão urbana da febre amarela, a prevenção deve ser feita evitando a disseminação do Aedes aegypti. Os mosquitos se reproduzem em água limpa. Qualquer recipiente com água limpa e parada, como caixas d’água, latas e pneus, são ideais para que a fêmea do mosquito deposite seus ovos. Portanto, deve-se evitar o acúmulo de água parada em recipientes destampados. Outras medidas de proteção são: 

  • Aplicar repelentes. Acima dos dois anos de idade, as opções com DEET (dietiltoloamida) e Icaridina são os mais recomendados.
  • Utilizar roupas de manga longa em áreas de risco.
  • Instalar telas em janelas e usar mosquiteiros para evitar picadas.

Lembrando que a febre amarela é uma doença grave, mas que pode ser prevenida e tratada. Ficar atento aos sintomas e buscar atendimento médico rápido em caso de suspeita salva vidas. 



Fontes:

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/f/febre-amarela
https://agencia.fiocruz.br/febre-amarela
https://bvsms.saude.gov.br/febre-amarela/
https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/noticias/ultimas-noticias/febre-amarela-macacos-nao-transmitem-a-doenca
https://www.msf.org.br/o-que-fazemos/atividades-medicas/febre-amarela/

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